Essencial Discs

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Kendrick Lamar - To Pimp a Butterfly (Parte 2/6)


WORDS AND MUSIC

Em geral, a análise de discos flui melhor quando feita sobre o todo e não pontualmente.

Todavia, para se extrair o máximo do disco e construir uma base sólida para desvendar se realmente é um dos melhores discos da história, o aspecto científico dessa resenha é tão importante quanto o artístico, razão pela qual será impossível desossar To Pimp a Butterfly como o conjunto da obra.

Em muitos casos acredito que a letra e o conceito dos discos só interessam quando a música que reside neles é boa. Na análise de To Pimp a Butterfly me concederei data venia para alterar esse conceito, pois esse disco certamente transcende as suas músicas, sendo as palavras conectores de suas ideias, influenciando, inclusive, a escolha dos sons e dos ritmos presentes.

"Não há lugar para sabedoria onde não há paciência".

MÚSICAS 1 a 3 - O INÍCIO DE TUDO: DO SUCESSO, DOS PROBLEMAS DO SUCESSO E DA LIBERTAÇÃO


Partindo da premissa de que o pobre garoto negro do Compton, LA, venceu na vida, mais detalhada em seu disco anterior, Good Kid, M.A.A.D. City, Kendrick agora encontra-se angustiado por ter conseguido se destacar, a fazer sucesso e a ganhar dinheiro, porém o preço para tudo isso é fazer parte do meio que ele sempre combateu, o qual explora os negros quando conveniente.

1) Wesley's Theory (featuring George Clinton and Thundercat)

O disco começa com a colagem da música de Boris Gardiner "Every Nigger is a Star", a qual, combinada com a imagem da capa, mostra, sem pudor, que a ênfase e até mesmo a valorização da cultura negra será a base que irá permear o disco inteiro.

O Wesley do título é o ator Wesley Snipes e a letra critica o sistema americano que o fez ficar 3 anos preso por sonegação de impostos. Kendrick, então, censura o fato de que tal sistema leva os indivíduos a buscarem mais dinheiro, mas não os ensina a administrar bem os recursos quando ganhos. Pure bullshit, baby.

Em entrevista à MTV, Kendrick Lamar declarou "So, you mean to tell me the moment I become successful and I get this money - and I don't know how to manage my money - that you're gonna throw me back in jail for taxes?". A resposta pra essa pergunta é simples. "Sim, claro. Com os cumprimentos do fisco".

Apesar do tema ser indigesto, há ainda o clichê, cantado por Dr. Dre, de que a parte mais difícil do sucesso é mantê-lo, mas que ao menos serve de ponte para a conclusão de que o sucesso nada vale se não for lastreado nos conceitos de sua vida pregressa, a qual é dada na voz de Geroge Clinton "Look both ways before you cross my mind".

Certamente a música não é inédita e nem uma carta tirada da manga de Kendrick, mas é digna o suficiente para a abertura do álbum, com melodias bastante variadas, com contribuições visíveis de George Clinton nos efeitos e inspiração nas batidas do próprio Dr. Dre.


2) For Free? - Interlude

Excelente free jazz, calcado na bateria explosiva de Robert "Sput" Searight, em um piano on Quaaludes e no vocal hiperativo de Kendrick.

Essa esbórnia no compasso da música funciona como pano de fundo para uma moçoila discursar sobre a sua insatisfação para com o namorado, mas que na verdade é uma paródia para enfatizar o fato de que a mulher representa os Estados Unidos e que esse demanda cada vez mais e mais esforços do homem negro (namorado) para manter seus caprichos.

O namorado então explode sua angústia acumulada há anos e se liberta da megera: "Oh America, you bad bitch, I the picked cotton that made you rich... Now my dick ain't free".

Tudo muito bonito e inteligente, até se perceber que na vida real atual é a megera que sustenta o namorado nervosinho.

A mensagem é bastante controversa, mas a densidade e a qualidade da música são inquestionáveis.


3) King Kunta

Mesmo sendo da costa oeste, Kendrick sabe onde beber água limpa e evoca os espíritos dos guetos de New York do final dos anos 70 e início dos anos 80 para compor a batida old school viciante dessa música. Grandmaster Flash is in the house, motherfucker.

Além dessa fonte, a música usa versos de Smooth Criminal, de Michael Jackson, e partes da música "The Payback", de James Brown.

A letra aparentemente é sobre Kunta Kinte, personagem principal do livro Roots, um escravo rebelde trazido da Gâmbia aos Estados Unidos em 1767 e que teve parte de seu pé cortado após diversas tentativas de fuga. Kunta é figura presente em outras diversas obras de rap, mas a sacada de Kendrick novamente se dá quando ele utiliza essa figura e a transforma em seu alter-ego real como enredo de fundo para a principal finalidade dessa música que é provocar os outros rappers, em especial Drake, para destroná-lo como rei do estilo:

"Bitch where you when I was walkin'?
Now I run the game got the whole world talkin', King Kunta"

"Straight from the bottom, this the belly of the beast
From a peasant to a prince to a motherfuckin' king"

A essa altura Kendrick já se considera o melhor, mas os seus próprios questionamentos e as convenções sociedade o impedem de atingir todo o seu potencial, sendo essa a vertente que será explorada por ele nas próximas músicas.

Na ausência de uma câmara antigravitacional, King Kunta cumpre o papel de te fazer flutuar. Espetacular, desconfio de vida longa para a música.


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A Parte 3 analisará as próximas músicas de To Pimp a Butterfly.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Kendrick Lamar - To Pimp a Butterfly (Parte 1/6)


Analisando as listas de melhores disco de 2015 nos deparamos com uma suspeita: To Pimp a Butterfly, de Kendrick Lamar, é provavelmente o maior disco lançado nos últimos 40 anos.

Essa quase unanimidade da música ficou entre as três primeiras posições de pelo menos 80% das listas espalhadas ao redor do Globo, sem margem de erro.

Fãs, críticos, moderninhos, ex-moderninhos, "old dudes" ou apenas chupins têm venerado a tida obra-prima do jovem músico americano e, mais do que isso, parecem ter medo da revolução social nas redes digitais caso se "esqueçam" de incluí-lo em seus róis de melhores.

Apartando a ironia, apenas o tempo será capaz de desvendar se disco é über hypado ou realmente exuberante, todavia as impressões deste Blog sobre o disco são autênticas e urgem para os nossos dois fiéis leitores, mesmo com o atraso de vários meses do lançamento do disco.

Primeiras Impressões

É importante registrar inicialmente que esta resenha foi feita numa bolha, sem ler e nem ouvir opiniões de terceiros sobre o disco, com acesso apenas aos dados técnicos das músicas e das letras, a fim de não contaminar o conteúdo final e apurar o sentimento mais pessoal possível.

Antes da análise das músicas, é igualmente importante registrar as três primeiras impressões: o título do álbum, o set list e a capa marcante.

O título

O explicação do conceito por trás do nome "To Pimp a Butterfly" requer um pouco de português e certamente não é "esgotativa" em nenhum campo, já que é uma metáfora muito íntima concebida por Kendrick Lamar, sendo sua interpretação também bastante pessoal.

O título original do disco seria "To Pimp a Caterpillar", um acrônimo de 2 Pac, já dúbio o suficiente para perturbar o ouvinte mais atento. Nesse caso, o verbo "to pimp" poderia significar a exploração da lagarta por alguém (negros pelos brancos?) ou também a melhoria dessa mesma lagarta, fazendo com que ela se liberte do casulo e se transforme em uma borboleta, o que nos aproxima o título do álbum.

O próprio Kendrick Lamar, na voz de George Clinton, dá dicas sobre o significado do nome "To Pimp a Butterfly" na primeira música do disco, "Wesley's Theory", cujo verso de abertura é:

         "When the four corners of this cocoon collide
          You’ll slip through the cracks hoping that you’ll survive
          Gather your wind, take a deep look inside
          Are you really who they idolize?
         To pimp a butterfly"

Ao que indica essa estrofe e as diversas pistas no decorrer do album, Kendrick, após o sucesso e o reconhecimento de público e crítica, se questiona sobre a sua própria capacidade de assumir o papal de protagonista (transformar-se em borboleta), pois carrega consigo diversas rusgas, sentimentos auto-destrutivos e percepções sociais que tangem a opressão social-racista.

Todavia, é apenas na última música do disco, "Mortal Man", na qual Kendrick se liberta e se coloca no mesmo patamar de líderes como Mandela e Martin Luther King, proclamando-se como o líder de uma geração, ao tempo em que argui os liderados sobre o apoio incondicional dos mesmos "When shit hit the fan, is you still a fan?"

A minha interpretação pessoal é que a lagarta inicial é uma metáfora artística para dizer que Kendrick é um indivíduo que consumiu o meio à sua volta, sendo capaz de libertar-se do casulo mundano que o impôs enormes dificuldades, libertando-se também de seus fantasmas interiores e transformando-se em borboleta.

Um renascimento mais confiante, poderoso e ciente de sua dita realeza no mundo da música. Um velho Kendrick foi "pimpado" e se transformou no novo Kendrick.

Os nomes das músicas

Apesar do disco ser extremamente pessoal (Momma, u, Mortal Man), os nomes das músicas também mostram que há espaço no disco para o tratamento de temas controversos como Hood Politics, Institutionalized e The Blacker The Berry.

Kendrick se insere no meio da confusão social e racial presente no meio em que vive e canta sobre diversos temas polêmicos, emitindo uma opinião deve balizar o posicionamento de uma geração de fãs.

Importante ressaltar que, apesar das letras serem muito pessoais, musicalmente o disco foi feito a várias mãos, pois há contribuições de outros artistas como George Clinton e Snoop Dogg em diversas faixas, o tal "featuring".

A capa

A imagem da capa mostra a invasão do Compton à Casa Branca, com um juiz morto no meio da horda, a qual carrega não só dinheiro e bebidas, mas também um bebê branco no colo, parecendo um simbolismo de que os caucasianos serão criados, a partir desse momento, sob a égide da cultura negra, que talvez seja a demonstrada na foto.

Os rostos alegres não disfarçam que os soldados venceram a guerra social, no sentido mais literal da palavra guerra, pois o exército negro aceita crianças, mas aparentemente não aceita mulheres.

Aparentemente é a dominação do mundo pelos negros, Pink. Ops.. Black.
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A Parte 2 será publicada brevemente e analisará as primeiras músicas de To Pimp a Butterfly.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Netherlands - Audubon


Saindo do forno mais uma potente bagaça da banda Netherlands.

Aparentemente o futuro da música pesada reside em algum lugar entre a força da lerdeza de um Panzer e a popidão Melviânica.

Disco do ano? Aguardemos.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

So far... so fucking good


Mais de um quarto do ano já passou. Impressionante como a velocidade da vida acelera à medida em que envelhecemos.

Nesse primeiro quarto o trabalho auditivo ainda estava focado nos discos lançados em 2015 e, assim, não tive a oportunidade de ouvir muitos discos lançados em 2016.

Todavia, o título de melhor do ano até o momento vai para os californianos do Plague Vendor, com o album Bloodsweat.

A música Jezebel é explosiva, combustível puro para os músculos, com a necessária obscuridade.

A kraut Iggy Pop on more Quaaludes!

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Top 30 Sem Bola - Melhores discos de 2015 (Posições 10 a 1)


Enfim o Top 10 e dessa vez numa paulada só. No-frills.

As doses homeopáticas ficaram pra trás, mas o molinete está cada vez mais preciso para a pescaria no seaquarium da internet.

O rock não mais sobrevive às tarrafas, requerendo o anzol para angariar as melhores presas, que ficam escondidas nas profundezas, seu habitat natural.

Only the Underground is Real.

      "Sound the alarm! Sound the alarm!
       The masses start to run.
       Like they know just where they're going".


10) Night – Soldiers of Time
Dispa-se dos preconceitos e let Night rape you.


9) Soccer Team – Real Lessons in Cynicism
Quase doce e sempre indie.


8) Magic Circle – Journey Blind
O disco de uma vida. Epic Melodic Doom at its finest.


7) Bad Guys – Bad Guynaecology
O que dizer de uma música sobre um filho que rouba um caminhão na Toy R Us e fala pro pai “You should have bought me this truck, you fuck”. You should have bought him the truck, you Fuck!.


6) Dead Lord – Heads Held High
O lorde continua de pé e com assento no parlamento, mas um passo aquém da exuberância da estreia.


5) Christian Mistress – To Your Death
Slow pace Heavy Metal. Domesticado, moroso e absoluto, capaz de extrair a aura metaleira de dentro de qualquer ex-adolescente. Acendam seus isqueiros para a voz rouca e aveludada de Cristine.


4) Witchskull - The Vast Electric Dark
Os riffs são cabulosos, mas o desespero inconsequente das melodias vocais enforca sem matar. Só a agonia interessa.


3) P.R.O.B.L.E.M.S. – Another Day
Punk? Street Punk. Punk Rock? Punk Rockão. Um célula infinita de energia suburbana! Respirar é para os fracos.


2) Vapid – Lake of Tears
Delicento e viciante. A mulherada causando nos inferninhos da vida.


1) Desert Storm – Omniscient
Nasty 70s slow cooking nu-stoner-blues com vocal beberrão! Um ZZ Top do inferno. Top 1 de 2015, no-frills.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Top 30 Sem Bola - Melhores discos de 2015 (Posições 15 a 11)


O afunilamento dá uma dimensão canibal pro Top Sem Bola, com a fagocitose musical ficando cada vez mais voraz e incisiva.

A ausência no Top 10 não implica em golpe e nem em impeachment, mas seria de bom grado que o Top 10 comportasse 15. A roda do metal não para de girar.

"Metal is standing like a sundial, casting shadows on the late September grain"

15) Graveyard – Innocence & Decadence
Um dos grandes discos de 1975.. ops.. 2015


14) Tau Cross – Tau Cross
A melodia está nos ouvidos de quem ouve. Um bifão mal passado servido no prato do Lemmy.


13) Sleater-Kinney – No Cities to Love
Castidade para todos os machos opressores, it’s feminist riot!


12) Baroness – Purple
Para as aflições do corpo procure um médico. Para as da alma, uma baronesa.


11) Dr. Living Dead - Crush the Sublime Gods
Year after year. Mosh after mosh. Crossover Thraaaaaaaaaaash!


sexta-feira, 1 de abril de 2016

Top 30 Sem Bola - Melhores discos de 2015 (Posições 20 a 16)


O ano de 2015 foi espetacular em termos de música, principalmente pesada. A partir dessa listagem todos os discos já entram de sola na Discografia Básica deste Blog, sendo muito difícil a alocação dos mesmo em posições.

A nova safra é um pouco menos variada e mais cítrica. O metal já começa a reivindicar seu lugar à sombra.

20) Marilyn Manson - The Pale Emperor
Demorei a admitir pra mim mesmo que gostei muito do disco desse senhor agora com 47 anos que vem se embriagando com múltiplas influências e que desnudou sua voz ao mundo.


19) Flight – Flight
Marty McFly viajou no tempo e trouxe esses 4 cabeludos pra tocar NWOBHM de raiz.


18) Screaming Females – Rose Mountain
Renda-se, o ano é das ex-moderninhas.


17) Blizzen – Time Machine (EP)
15 again! Com apenas cinco músicas o décimo sétimo lugar é justo pra esse bombástico EP de heavy metal clássico. Ansioso pelo disco completo que sairá em maio/16.


16) Demon Head – Ride the Wilderness
Protometal doomizado em frequências graves impróprias até para caninos.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Top 30 Sem Bola - Melhores discos de 2015 (Posições 25 a 21)


As posições 25-21 revelam um grupo musical ainda mais heterogêneo do que o anterior, incapaz de frequentar a mesma estante de uma pessoa convencional. Hello, Stranger.

25) Turnover – Peripheral Vision
Relax, Kid, the mellow indie years are back.


24) Elza Soares – A Mulher do Fim do Mundo
A voz já não esconde mais a senhorilidade dessa mulher escondida atrás de tantas plásticas e que foi e voltou do fim do mundo diversas vezes. Cante até o fim, Elza.


23) Monster Coyote – Neckbreaker
Tijolada brazuca nos bagos. Esse coiote tem pai caminhoneiro e mãe encanadora.


22) Motoroma – Poverty
O pós-punk cinzento dos porões enfumaçados também emana um colorido pop dedilhado.


21) The Sword – High Country
A espada envergou, mas ainda machuca apesar de os mighty riffs terem sido lapidados como rock funkeado dos anos 70.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Top 30 Sem Bola - Melhores discos de 2015 (Posições 30 a 26)


O ano de 2015 foi apenas mais um conturbado na nossa história quincentenária e errante.

A reeleição de Dilma Rousseff para a Presidência da República foi um erro da nossa democracia, mas apenas o pensamento pragmático em prol do país é insuficiente para legitimar a sua saída do poder.

Além das já detectadas "pedaladas", é possível que a releição da Presidente tenha sido custeada por recursos escusos provenientes da maior organização criminosa que já existiu no Brasil e, caso isso seja confirmado, finalmente poderemos recomeçar o país mais uma vez após o seu impeachment.

Infelizmente há agora o atraso de dois longos e tenebrosos anos de crise econômica motivada exclusivamente pelos erros ou pela falta de ação do Governo, crise essa que massacra milhões de brasileiros invisíveis e alheios à guerrilha política onde reina o pensamento egoísta e falso dos políticos.

Como nem tudo são flores, a herança de Dilma será composta de muitas notas promissórias não só financeiras, mas éticas, comportamentais, sociais, morais, etc, e representará um desafio hercúleo para plena recuperação do Brasil.

Em homenagem à falta de trabalho em prol do país em Brasília, resolvi colocar mais suor no Top Top que dessa vez conta com 30 melhores discos de 2015.

Nenhum deles é descartável, os 30 possuem representatividade suficiente para compor essa lista, cada um no seu slot de gosto e mood. Ambição pura.

Top Top Sem Bola - Os 30 melhores discos de 2015 (30-26)

30) New Order - Music Complete
It hooks in you without Hook.


29) Razorbats - Camp Rock
Incrível disco de rock e light punk anos 70. Kiss, Cheap Trick, Alice Cooper, The Runaways, The Saints, está tudo aqui e encaixado.



28) Red Death - Permanent Exile
A sixteen minutes gut cutter. Cross over it, sk8border.


27) Valkyrie – Shadows
Reinventing the same steel! Proto-doom com guitarras harmônicas. Essa capa.. ahh essa capa.


26) Golden Void – Berkama
Feel the 60's and smell the 70's no primeiro e único disco de Astral Pop Rock já lançado.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Joaquim Barbosa, o nosso Batman


Na Gotham City dos colarinhos branco e preto, nosso Batman com reumatismo, o ex Ministro do STF Joaquim Barbosa, com seu heroísmo frente ao escândalo do Mensalão em 2005, conseguiu livrar o Brasil de uma situação que certamente seria muito mais traumática para o país do que a vivenciada atualmente.

Quando do surgimento do Mensalão, fadado a ser apenas mais um escândalo na política brasileira nos últimos 500 anos, o ex-Ministro Joaquim Barbosa travestiu-se de super-herói e com atuação firme e focada nos princípios da ética e da justiça conduziu o processo que culminou na prisão de vários integrantes do esquema e também na primeira sova moral sofrida pelo Partido dos Trabalhadores.

Desde a criação do partido, em 1980, o PT foi criticado por sua ideologia e por propostas de governo, mas nunca havia sido pela sua reputação que parecia ser alheia aos desvios de conduta afetos a quaisquer outros partidos presentes na nossa democracia financeira, na qual o vencedor, na maioria dos casos, é aquele que arrecada mais dinheiro.

Saindo do campo judicial, do lado petista, o que houve no esquema do Mensalão foi o sucesso nas estratégias e ações de blindagem do ex Presidente Luís Inácio Lula da Silva.

Todavia, essa medida teve um custo muito alto para partido: o sacrifício de José Dirceu. Como um soldado, José Dirceu blindou Lula de todo o escândalo e assumiu a coordenação do esquema, fazendo com que seu nome, como pessoa pública, deixasse de ter a necessária representatividade, força e carisma para voltar a concorrer em eleições e ocupar cargos políticos. Essa tática de guerrilha foi exitosa no curto prazo, pois manteve o PT no poder em 2010 e em 2014, mas a não assunção de José Dirceu ao comando do país pode ter sido o principal motivo pelo qual a Operação Lava Jato eclodiu.

Além de ser um soldado fiel às suas convicções ideológicas, a patente de José Dirceu é muito mais elevada do que a de Dilma Rousseff. Ele é mateiro na política, maquiavélico em seus objetivos e possivelmente teria sido capaz de blindar também o PT antes do surgimento da Operação Lava Jato, através do controle sobre a Polícia Federal, Imprensa e sobre quem mais ousasse atrapalhar seu plano de perpetuação infinita do PT no poder, o qual, a cada dia, iria requerer mais recursos financeiros da população.

Na condução do plano de governo do PT, mas uma vez à população brasileira caberia ficar às margens do submundo podre e corrupto que permeia nossos poderes Executivo e Legislativo, cujas ações são perfeitamente planejadas para satisfazer interesses pessoais e egos ideológicos a custa da continuidade do massacre coletivo à população já surrada por anos de safadezas e esbórnias com o dinheiro público.

Joaquim Barbosa impediu que José Dirceu assumisse da Presidência da República do Brasil e nunca os brasileiros serão capazes de agradecê-lo à altura pelo tamanho desse serviço prestado à nação.

Obrigado, Batman!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Ch-ch-ch-changes


Uma das percepções sobre o envelhecer é descobrir que o seu mundo vai sendo drenado pelos ralos da vida com o passar do tempo.

A cada dia você é surpreendido com pequenas situações que te fazem refletir sobre a descontinuidade de uma vida que não existe mais.

O exemplo mais recente aconteceu ontem quando fui procurar a música Lovesong, do The Cure, no Youtube. Quando a primeira opção foi a música homônima da Adele percebi que mais um pedacinho do meu mundo havia ido para o ralo.

         "Turn and face the strange...Ch-ch-ch-changes"


terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Top 5 Billboard


O mote aqui é simples: ouvir o Top 5 da Billboard para você, leitor, não ter o que fazê-lo. Assim, sem mais delongas, Quick and to the Pointless, o Billboard Top 5 da semana do Natal de 2015 comentado.

5) The Weeknd - The Hills (450 milhões de visualizações no Youtube)

A primeira impressão é que essa música não deveria estar na parada da Billboard. A melodia é perturbada, obscura, triste, repleta de barulhos desconexos e a letra sobre sexo e drogas. Quase um anti-pop, com vocal cheio de efeitos, uma espécie de Michael Jackson vezes -1. Gostei, poderia ter sido pior.


4) Justin Bieber - What Do You Mean (450 milhões de visualizações no Youtube)

O clipe começa como se saído diretamente do jogo GTA, o que agrada a banca examinadora. A música é bastante minimalista, com um clima eletropop, porém parece ter sido construída para ser desconstruída por DJ´s espalhados pelo mundo para se tornar mais ou menos animada ou dançante ou blasé. Do It Yourself vibe Billboard style. Não era o Justin Bieber que eu esperava ouvir, mas ainda assim não foi nem perto do suficiente. O tique-taque do relógio que permeia a música inteira, como se fosse um cronômetro regressivo, foi o achado mais interessante.


3) Drake - Hotline Bling (216 milhões de visualizações no Youtube)

O Call Center das Panicats em pleno dia útil nos primeiros 20 segundos do clipe. A música é minimalista, com uma base simples para o vocalista Drake destilar toda a sua poesia "You used to call me on my cell phone" ou "I know when that hotline bling / That can only mean one thing". É um dub, reggae sem graça, um sampler inofensivo de qualquer coisa jamaicana ou de Police, The Clash. Absolutamente sem vida, não consegui nem achar ruim.


2) Justin Bieber - Sorry (327 milhões de visualizações no Youtube)

Os roqueiros de meia idade não costumam saber o que borbulha no mundo da música pop, então, mesmo sabendo que o ex-menino era famoso, foi uma surpresa encontrar Justin Bieber com duas músicas no Top 5 da Billboard. Logo no início nota-se que a música é composta por um ritmo meio caribenho no meio de diversas camadas de músicas pop e melodia vocal de Justin. E isso é tudo. A música fica dando voltas em torno do mesmo tema e não chega a lugar nenhum. Totalmente dispensável, aguada, imemoriável. Sorry.


1) Adele - Hello (713 milhões de visualizações no Youtube)

As magras que me perdoem, mas gordura é fundamental tratando-se de voz feminina. Era. Diferentemente de Sansão, Adele perdeu seus atributos e está mais potente e afinada do que nunca. A música não é extremamente pop, apenas a produção cristalina e um coro como segunda voz. É mais um exemplar minimalista na parada da Billboard, porém essa causa é nobre já que a música é quase dispensável quando se tem uma voz dessas, um talento único, que não aparece com frequência. Continua fora da minha coleção de CD's, mas merece os louros da fama.


Lição de Natal do Top 5 Billboard: prepare-se pro Top 15 Sem Bola.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Impeachment


Ontem, dia 02/12/2015, Eduardo Cunha, Presidente da Câmara dos Deputados, abriu processo de impeachment contra Dilma Rousseff, com tendência de que o mesmo seja longo e danoso para o Brasil.

Eduardo Cunha já tinha esse pedido engavetado há tempos e tomou essa decisão política no momento em que achou oportuno, tendo em vista que o PT, partido da excelentíssima Presidente, manifestou posição contrária à Eduardo Cunha em processo de cassação iniciado no Conselho de Ética, da Câmara.

Líderes do PT, mesmo após escancaradas denúncias contra Cunha, ainda tentaram mobilizar a bancada do partido na tentativa de votar em prol de Eduardo Cunha no Conselho de Ética, porém tal diretriz foi "baipassada" pelos nobres Deputados, ação que mostra a grande divisão política dentro do partido.

No fundo, a cúpula do PT sabe que um pedido de impeachment tem grandes chances de resultar em cartão vermelho para a Presidente, principalmente em função das "incertezas de natureza econômica e não econômica", eufemismo que vem sendo usado pelo Banco Central para descrever a tragédia econômica, moral e política que assola o país, razão pela qual procurava blindar Eduardo Cunha desse processo em troca do engavetamento do pedido de impeachment, mesmo contrariando provas e vontades pessoais dos integrantes do partido.

Não é novidade para ninguém que a troca de favores, mesmo dessa forma desvirtuada, é natural em Brasília, e constituiu, há anos, a forma mais eficiente de se fazer política no país "um por todos e todos por um, até que seja cada um por si". It´s all business.

Ainda mais lamentável do que essa situação é que o possível "abraço dos afogados" de Dilma Rousseff e Eduardo Cunha deve piorar a sangria a que o país vem sendo submetido e aumentar ainda mais a inércia do Governo em resolver seus problemas internos para, enfim, possibilitar a volta do crescimento econômico, a retomada dos gastos públicos em áreas primordiais e a redução da inflação, deixando de penalizar os milhões de brasileiros invisíveis e que sofrem na pele os nefastos efeitos dessa guerrilha.

O momento para a abertura de um processo de impeachment não poderia ser menos oportuno para o País e para seus cidadãos e fica ainda pior se considerarmos a linha sucessória de Dilma Rousseff, por ordem de hierarquia: Michel Temer (Vice-Presidente), Eduardo Cunha (Presidente da Câmara dos Deputados), Renan Calheiros (Presidente do Senado) e Ricardo Lewandowski (Presidente do STF).

O jeito é esperar mais um pouco para ver se passa essa vergonha de ser brasileiro.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Frase do Dia


"Nunca mais quero ouvir os comentários de Caetano Veloso sobre o Oriente Médio"

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Juçara Marçal - Encarnado


A maior virtude de um disco inteiro sobre a finitude da vida é ser perturbado no limiar da neurose.

Densidade Arquimedes ‘Mode On’ nessa obra prima da música brasileira.